Eles Não Eram Nada - 1996 (MCA)
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1. Tropicália
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2. Corvos Sobre o Campo
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3. Mordacchia
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4. Um Dia de Sol
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5. Erika
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6. Barbie e Ken
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7. Túnel do Tempo
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8. A Lugar Nenhum
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9. Cut Back
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10. Rei Não Bate
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11. Lobo da Estepe
Tropicália
(Caetano Veloso)
Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus os caminhões
Aponta contra os chapadões meu nariz
Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento no planalto central do país
Viva a bossa-sa-sa
Viva a palhoça-ça-ça-ça-ça
O monumento é de papel crepon e prata
Os olhos verdes da mulata
A cabeleira esconde atrás da verde mata o luar do sertão
O monumento não tem porta
A entrada é uma rua antiga, estreita e torta
E no joelho uma criança sorridente, feia e morta estende a mão
Viva a mata-ta-ta
Viva a mulata-ta-ta-ta-ta
No pátio interno há uma piscina
Com água azul de Amaralina
Coqueiro, brisa e fala nordestina e faróis
Na mão direita tem uma roseira
Autenticando a eterna primavera
E nos jardins os urubus passeiam a tarde inteira entre os girassóis
Viva Maria-ia-ia
Viva a Bahia-ia-ia-ia-ia
No pulso esquerdo bang-bang
Em suas veias corre muito pouco sangue
Mas seu coração balança a um samba de tamborim
Emite acordes dissonantes
Pelos cinco mil alto-falantes
Senhoras e senhores
Eles põem os olhos grandes sobre mim
Viva Iracema-ma-ma
Viva Ipanema-ma-ma-ma-ma
Domingo é o fino da bossa
segunda-feira está na fossa
terça-feira vai à roça porém
o monumento é bem moderno
não disse nada do modelo do meu terno
que tudo mais vá pro inferno
Viva a banda-da-da
Carmem Miranda-da-da-da
Corvos Sobre o Campo
(Fred Nascimento e Gian Fabra)
Céu azul, campo amarelo
Corvos avançam em nossa direção
E não porque se assustar
Deixa o medo entrar
No seu coração
Tudo que fiz foi por amor
Acho até que encontrei
O motivo de um final feliz
Nunca imaginei o nosso fim
Construí meu castelo
com as pedras que eu te atirei
Yeah! Yeah! Yeah! Nada vai durar
As maldades serão coisa belas enfim
Nada vai durar tanto assim
Abra os olhos então
Olha os corvos sobre o campo
Céu azul, campo amarelo
Corvos avançam em nossa direção
Vermelhos caminhos, ecos de cores
Vaga pulsação de clara escuridão
Mordacchia
(Fred Nascimento e Gian Fabra)
Chega de seguir a opinião
de quem não tem nada pra dizer
é melhor seguir sozinho
pelo seu próprio caminho
mesmo sem saber onde vai dar
Se você quiser ser quem você é
não bote sua vida em minhas mãos
faça o que tem que ser feito
faça a coisa do seu jeito
e quem sabe eu possa te entender
Não se sinta usado
você foi moldado
pra ser controlado
e guiado como um cão
Se você puder ver no meu olhar
o futuro em sua direção
Vai saber que eu não consigo
explicar tudo que eu digo
e quem sabe possa me entender,
Quem sabe até possa me entender
Um Dia de Sol
(Fred Nascimento e Gian Fabra)
Árvore de natal, presentes pela casa
De quem são? Onde estão os nossos fantasmas?
Quem será que roubou aquela magia?
Eu cresci, te perdi da noite pro dia
Quem marcava seu caminhos com nacos de pão
Hoje segue os passarinhos que dormem no chão
E quando eu te encontrei
Foi você quem sorriu
Hoje eu guardo as lembranças num dia de sol
Lembro da gente andando juntos
Olhando o mar e o horizonte
E o sol morrendo no seu rosto
Levando a vida pra bem longe
Tudo tem um começo e um fim
Muitas vezes vi você sonhar em minhas mãos
Nem o tempo vai poder tirar isso de mim
Não!!!
E quando eu te encontrei
Foi você quem sorriu
Hoje eu guardo as lembranças num dia de sol
Erika
(Fred Nascimento e Fausto Fawcett)
Vejo surgir uma loura, esquina Nossa Senhora
Prado Jr. Encanto, insano insight é agora.
Na cadência das galáxias rasgadas
Por cometas assassinos errantes
A lourinha se aproxima sumária
fêmea de cinema volúpia
Tacinha sutiã, explícito Baby-love
Copacabana é o umbigo ambíguo
Do mundo Erika
Erika, Erika, Erika, Erika
No colo perfumado da Erika
Logo acima da vermelha saia justa do amor
Cinema sumário
da volúpia na rua
do outro lado da lua
Tacinha sutiã, explícito Baby-Love
Copacabana é o umbigo ambíguo
Do mundo Erika
Erika, Erika, Erika, Erika
Pincesa de shortinho
Help,meu bem
Cinema sumário
Da volúpia na rua
O outro lado
Do outro lada da lua
Barbie e Ken
(Fred Nascimento e Gian Fabra)
Barbie andava sobre as nuvens
Carregando uma flor
Ken fumava escondido
Com amigos no metrô
Ken via estrelas brilhando ao seu redor
Barbie brincava no céu
Quando se viram a Barbie sorriu pro Ken
Ele era um raio de sol
Só
Hoje eu me sinto só
Eu lembro de você
A Barbie e o Ken
Eu vi o tempo te devorar
Em sua fúria atrás de nós
Barbie ainda é uma estrela
Ela nunca envelheceu
Ken não fuma nem unzinho
Com amigos que perdeu
Barbie cansou de brincar e caiu do céu
Vendeu seus sonhos a Ken
Hoje se viram no meio da escuridão
Mas apagaram o sol
Túnel do Tempo
(Fred Nascimento e Gian Fabra)
Você vai voltar pelo tempo
E encontrar o seu primeiro amor
Você vai estar por um momento
Onde o sofrimento começou
E você verá que o tempo não passou
Você vai achar uma criança
Namorando a lua cheia
E olhando o mar da varanda
De um castelo de areia
E você verá que o tempo não passou
Você vai poder ver
É a mesma velha dor
Que te faz sofrer
Então dê um sorriso
Até que você fez o seu melhor
Mesmo sem saber
E ninguém está pronto pra saltar
Nesse abismo de escuridão
Se você quiser voar
Vai notar que não tem mais
As suas asas de algodão
Vai caindo...
Não espere que alguém venha te ajudar
Mas é bom você cuidar
Dessa cicatriz nas costas
Antes de se espatifar no chão
A Lugar Nenhum
(Fred Nascimento e Alvin L)
Mais uma noite perdida
Tentando juntar
Milhões de pedaços
Palavras cruzadas
Imagens quebradas
Algo me diz que falta uma parte
Pra completar um lugar comum
Nós fomos tão longe
Nunca chegamos a lugar nenhum
Pedaços de pizza
Cenas de sexo explícito
Os quadris de Elvis
Rodando em CD
Podia ser alguém como você
Podia ser alguém como você
Algo me diz que falta uma parte
Pra completar um lugar comum
Nós fomos tão longe
Nunca chegamos a lugar nenhum
Cut Back
(Fred Nascimento e Gian Fabra)
Sem adeus, eu já fui embora
Nunca mais venha me falar de amor
Traição foi um crime sem perdão
E não hão que explicar
Eu queria te amarrar como um ladrão
Ao meu cavalo
E te arrastar pro mundo ver
Quando a tua máscara cair no chão
Sozinho com teus medos você vai ficar
Eu vou tirar o ódio do meu coração
Deixar você se envenenar com o seu próprio veneno
E você como faz para dormir?
Acabou, foi você quem se deu mal
Olha o mundo que você quis conquistar
Ficou sujo, você não gosta de ninguém
Quando a tua máscara cair no chão
Sozinho com teus medos você vai ficar
Eu vou tirar o ódio do meu coração
Deixar você se envenenar com o seu próprio veneno
Se conseguir dormir
Não deixe de sonhar
Nem de telefonar pra ninguém
Rei Não Bate
(Fred Nascimento)
Lembra
Será verdade
A sinceridade um dia existiu
Lembra
A escola enfeitada
O dia da pátria chegou e você sumiu
O que você ganhou de natal?
Comprei bombinhas de São João
Eu tenho medo de temporal
Porque a gente dorme no chão?
Nós somos o mundo diz a canção
Nós somos o mundo diz a canção
Dizem que você fala muito em mim na televisão
Lobo da Estepe
(Fred Nascimento e Gian Fabra)
Eu tenho um sonho onde estou correndo só
Por uma estrada que vai dar no seu olhar
Vejo um lobo surgir de um incêndio no céu
O que era ilusão vem me exorcizar
Tenho fogo nas mãos e desejos em vão
Como um tolo que não soube te amar
E vou correndo sem perceber que me perdi
A nossa estrada acabou e eu nem vi
Eu te vejo fugir sem saber aonde ir
Como um sonho que vai desaparecer...








